Fred Ritchin: Direitos Humanos e Mídia

Fred Ritchin, professor, escritor, produtor e reitor emérito do prestigioso ICP - International Centre of Photography de Nova York, apresentou suas pesquisas e conclusões sobre as implicações imagem digital, interatividade e narrativas não convencionais a serviço de projetos que unem questões sociais, direitos humanos, política e fotografia no Rio2C. 

Segundo Ritchin, estamos atualmente produzindo mais mídia do que nunca, porém é um volume cada vez menos menos confiável. A perda de credibilidade da fotografia tem sido uma das principais preocupações da sua pesquisa, que ele realiza há cerca de três décadas. "Minha experiência como fotógrafo me convence de que a mídia digital está mudando nosso modo de ver o mundo e de acreditar no que vemos", afirma. Dois erros comuns: achar que o jornalismo é imparcial e que a câmera nunca mente. Não é o que se tem visto no mercado do fotojornalismo onde diferentes abordagens podem levar à diferentes interpretações.

Ritchen destacou a importância de humanizar todas as pessoas retratadas pela mídia. Como exemplo, ele contou o caso de um jovem que tinha cometido um crime e como ele poderia ser retratado em dois exemplos completamente antagônicos. Primeiro, uma imagem do infrator com roupas simples reproduzindo sinais de gangues. Outra, o mesmo rapaz em trajes da sua formatura do ensino médio. Cada uma dessas fotografias, trazem um tipo de leitura para o público leitor e sua empatia com o retratado.

Sobre os jovens e sua atuação como produtores de imagens e conteúdos, ele declarou que aqueles que têm acesso aos mais modernos celulares e câmeras devem utilizar seus equipamentos e discursos como ferramentas como forma de conscientizar os demais sobre diferentes realidades. 

Para Ritchen, 2 de maio de 2011 foi o dia em que a fotografia perdeu definitivamente a sua credibilidade. Após uma perseguição de quase 10 anos, o governo dos Estados Unidos anunciou a morte de Osama bin Laden, líder da Al-Qaeda, organização responsável pelos ataques terroristas de 11 de Setembro. Ele afirmou que dois motivos foram fundamentais para a decisão do governo norte americano não divulgar a imagem do corpo de Osama: “Primeiro, evitar a ira mundial que a divulgação da imagem de um homem baleado na cabeça poderia despertar. O segundo tinha a ver com uma falta de garantia: muitas pessoas não iriam acreditar na fotografia do governo.”

Nos anos de 1980, Ritchin foi editor de fotografia da revista do jornal The New York Times e, nos anos de 1990, conduziu um projeto que transformou o tradicional veículo impresso em uma publicação multimídia. Em 1984, quase uma década antes da difusão das ferramentas de manipulação fotográfica, publicou um artigo onde apontava sua apreensão com o fato de a edição de imagens ser cada vez mais fácil. 

Ele exemplifica sua fala lembrando a famosa prisão do jogador de futebol americano O. J. Simpson. "Em junho de 1994, uma imagem manipulada do jogador foi capa da revista Time, logo após Simpson ter sido preso pela acusação de assassinato de sua esposa, Nicole Brown Simpson e de Ronald Goldman, um amigo dela. A imagem foi escurecida, para que o rosto do Simpson tomasse um tom sombrio e assustador. Uma cópia da foto verdadeira também apareceu, inalterada, na da capa da concorrente Newsweek. Em 1995, Simpson foi absolvido e a revista Time então foi acusada de manipular a foto para fazer Simpson parecer ameaçador.

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