Música: palavra do gênero feminino

No painel “Música: palavra do gênero feminino”, que abriu a sala 3 no segundo dia do Rio2C - Rio Creative Conference, quatro mulheres empoderadas e com carreiras de sucesso contaram um pouco das suas trajetórias e histórias de vida. 

Ariane Carvalho, empresária e executiva da produtora Pedra da Gávea, conta que ao longo de toda a sua vida teve uma relação muito próxima com o mercado da música brasileira, onde transita há mais de 20 anos. Criadora do projeto da rádio MPB FM, que terminou recentemente, fala que foi um ciclo difícil de ser fechado.

“A vida às vezes faz com que você tenha novas oportunidades e fecham-se ciclos, mas outros recomeçam”. O conteúdo sempre foi o norte de todos os seus trabalhos. No entanto que os programas Palco MPB, Samba Social Clube e a Hora do Faro continuam existindo apesar do fim da rádio. Hoje ela já lidera outros projetos no meio musical, como por exemplo o Samba do Zeca, com três edições de sucesso no Jockey e o programa Palco Brasil, da Rádio Marginal em Lisboa. “Temos sempre que continuar nos reinventando, criando e acima de tudo fazendo as coisas com amor e paixão, sem isso não se consegue nada”, finaliza a palestrante. 

Empresária e CEO do grupo Lead! de Recife, Carla Bensoussan entrou na produção dos festivais de música por acaso e depois de passar por grandes dificuldades em sua vida pessoal. Tudo começou quando ela fez a casa de Alceu Valença no carnaval de Olinda, em parceria com a Ambev e conta que esse é um meio bastante machista, que não é fácil para ela como mulher, ainda minoria. 

Carla se diz empresária da área cultural, já que identifica a cultura como um produto e faz dele seu business. “A música para mim é um produto, eu identifico onde está aquele público, o que ele quer consumir. Tento fazer disso um negócio”. Dessa maneira ela explodiu o carnaval recifense, prestando atenção na efervescência das ruas. “O carnaval de Pernambuco é muito rico, mas há 15 anos atrás a gente só ouvia falar nacionalmente de Olinda e alguma coisa do “Galo”. Eu olhei para Recife, para os blocos de rua, isso que acontece hoje no Rio e em São Paulo já era nossa tradição, e apostei, quando não tinha nenhum patrocínio ou marca”.

Elba Ramalho, cantora com mais de 40 anos de carreira, foi apresentada pela mediadora do painel como uma mulher à frente de seu tempo. Segunda filha entre 4 irmãos homens, nascida no alto sertão da Paraíba, teve sua luta contra o machismo e o patriarcado ainda dentro de casa, contra a opressão do pai e dos irmãos. Desde muito nova sabia que não tinha nascido para viver cuidando da casa, como a tradição determinava para as mulheres na época. Na faculdade frequentou aulas de teatro escondida da família, e quando foi descoberta, seu pai a enviou para um colégio interno, onde ali montou a sua primeira banda, formada apenas por mulheres, em que era a baterista.

Quando completou 18 anos, Elba começou a produzir festivais de cultura em Campina Grande, onde se apresentou para grandes artistas como Jorge Amado e João Cabral de Melo Neto. Depois do lançamento do primeiro CD, foi convidada para fazer uma temporada de shows no Rio de Janeiro, quando então estourou. Ela contou que sofreu mais preconceito por ser nordestina do que ser mulher. “Gente, verdadeiramente, se me perguntarem se sofri preconceito como mulher, eu nem vi, porque eu queria voar e quando a gente quer voar a gente voa, a gente atravessa tempestades e voa”, completou a artista sob aplausos do público.
Iza, carioca de Olaria, de 27 anos, tem uma carreira curta, de apenas dois anos e estourou nas rádios com a música “Pesadão”, com o cantor Marcelo Falcão. É publicitária de formação e fala que a sua relação com a música sempre esteve muito presente na sua vida, desde a infância. Tem grandes figuras de mulheres fortes e inspiradoras na sua história, por exemplo sua avó, figura matriarcal imponente que sempre a influenciou. 

No final de 2017 para cá sua carreira deslanchou. Iza fez uma participação no show do Ceelo Green no Rock in Rio, e abriu o show do Coldplay. No dia anterior a palestra, ela participou do Programa do Bial, onde ganhou o disco de platina. “Acho que tudo isso é vitória e importante de ser dito até para inspirar as pessoas, para dizer para as meninas que se inspiram em mim que é possível, sim. Eu estou vivendo um momento muito especial”, completou a artista bastante emocionada. A cantora também foi a atração da cerimônia de abertura do Rio2C.

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De 3 a 8 de abril de 2018 na Cidade das Artes, Rio de Janeiro

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