Moogie Canazio é destaque da Música no Rio2C

Grandes nomes da música brasileira e mundial já dividiram o estúdio com o talento de Moogie Canazio. Produtor musical e engenheiro de áudio com mais de 35 anos de experiência, ele participa do keynote “You will make it work” ao lado de Ed Cherney e Geoff Emerick.

Moogie já trabalhou com Antonio Carlos Jobim, Sergio Mendes, Eric Clapton, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Diana Ross, Dionne Warwick, Ivan Lins, João Gilberto, Simone, Francis Hime, Jay Vaquer, Luiz Miguel, Ray Charles, entre muitos outros. Com múltiplas indicações ao Grammy e Emmy e inúmeros prêmios acumulados entre Tim, Multishow e Grammy's, Moogie é um aficionado e entusiasta de música sobretudo a brasileira, da qual é um apaixonado. 

Para adiantar um dos painéis mais esperados do Rio2C, conversamos com o engenheiro de som sobre sua carreira, a relação com alguns artistas brasileiros e o painel, que acontece no dia 04 de abril, às 11h45, na Grande Sala Petrobras.

Fale um pouco sobre seu método de trabalho.
Eu aprendi que compor requer disciplina, com o Tom Jobim. Você não compõe só porque você acorda um dia inspirado, senta no piano e faz uma música. O Tom acordava todo dia às seis da manhã e sentava no piano para compor. Ele e os maiores compositores que eu conheço fazem a mesma coisa. O ano tem 365 dias. Digamos que cinco dias do ano eles não façam, então são 360 tentativas. Bem possivelmente, deles vão sair 10 músicas que prestam. Os outros 350 não vão ter, mas vai ser um exercício da disciplina de você fazer. Não é só ir para à beira da praia, com um violão. Essa também funciona, você pega uma inspiração, um namoro novo, um affair, uma tristeza que você passou, uma alegria muito grande, uma experiência e aquilo vira uma obra, vira uma composição. Mas se for deixar só isso, você não aperfeiçoa o teu ofício de compor. 

Como você vê a engenharia de som hoje?
Então, o nosso negócio de produção musical e engenharia ficou um pouco comprometido porque qualquer pessoa entra, vai numa loja, compra 500 dólares de equipamento e acha que é um produtor, um engenheiro e que vai fazer um disco de maior sucesso. E a realidade não é essa. Se você errar, não corre o mesmo risco de um cirurgião fazendo uma cirurgia numa carótida - que se errar o corte, mata. Não vai acontecer isso, mas vão ser criados conteúdos ruins. E acontece isso, sai muita coisa mal feita.

O que você achou da criação de um evento como o Rio2C?
Para tudo você tem que ter ou uma formação acadêmica ou uma experiência acumulada muito grande. Felizmente tem eventos como esse que, de certa forma, mistura as duas coisas. Você já tem uma tendência, uma aptidão, aí você fala: “Legal! Deixa eu ver o que esse cara tem para falar para eu absorver, para eu ouvir”. 

O Zé Ricardo, curador de Música do evento, comentou que você foi o responsável pela vinda tanto do Ed Cherney quanto do Geoff Emerick. Conte como surgiu a ideia desse encontro.
Foi o seguinte: eu gosto de sempre de ter como ponto de partida como se eu estivesse “do outro lado” ouvindo. Em tudo, até no que é fácil. Assim, como é que eu gostaria de perceber essa música? Eu não faço disco para os outros, eu faço disco para mim. Então eu pensei: quem será que eu gostaria de sentar e absorver a experiência? O Geoff e o Ed. São dois grandes engenheiros que me impressionam muito com seus trabalhos, desde muito tempo.

Assim como você...
Eu não! O que acontece: eu sou um cara nascido no Rio de Janeiro, moro há 35 anos em Los Angeles, tive o privilégio de trabalhar com uma quantidade de artistas e produtores gigantesca. Porque - voltando a falar de disciplina – eu sou um produtor musical, mas pelo meu estilo de trabalhar, também sou contratado, porque eu faço toda a parte técnica dos meus projetos, eu não contrato ninguém, não consigo ter ninguém para fazer por mim. Tudo que eu faço sou eu. Mas não é muito sadio isso não, eu deveria ter a capacidade de delegar. Mas eu não consigo. Quero botar “a pata” em tudo. Mas até por outro lado, por causa disso, tem produtoras que contratam para trabalhar. Justamente por isso, então eu sento nessas duas cadeiras. Eu passo 65% produzindo as minhas coisas, como próprio produtor musical e engenheiro e 25% eu passo como engenheiro. E eu faço isso, principalmente para poder estar convivendo com outros produtores e entender. Porque esse processo é interminável, você aprende todo dia.

Você já trabalhou com os dois?
Não como engenheiro. Com o Ed, recentemente dividimos um projeto (da artista Alexandra Jackson). Tanto eu quanto ele estávamos contratados como engenheiro, mas a gente ficava trocando informações. Existe uma outra coisa também. Falando mais especificamente sobre o Ed, ele é um engenheiro e um produtor extraordinário, uma pessoa maravilhosa. Quando eu mandei a minha mix de uma canção que eu estava fazendo, ele virou e falou: “Cara, Moggie, como vou fazer a minha parte depois do que você mandou?”. Quer dizer, um cara super querido. Falei: “Que isso, Ed! Nem quero ouvir o seu”. Assim, escolhi ele e o Geoff porque a obra, o escopo do trabalho de ambos, para mim é contundente. Então, eu estava fazendo um painel como se eu estivesse sentado aqui na plateia e não lá no palco.

O que você tem escutado de música brasileira atualmente?
Eu sou muito passional com os meus projetos. Estou acabando o disco de replicas de relojes um artista brasileiro que eu considero um dos maiores dos últimos tempos, se chama Jay Vaquer. Filho da Jane Duboc. Eu fiz quatro cds com ele. Antes, eu terminei o disco da Zanna. E foi um desses projetos, que eu não conhecia a artista, nem sabia quem era ela. Ela é uma mulher super competente, capaz. E Maria Bethânia, com quem eu fiz 19 discos - quase a metade da discografia dela. Caetano Veloso, Simone. Super artistas, mega artistas.

E João Gilberto?
João Gilberto, eu amo de paixão. Ele é difícil, mas eu sou mais! Por isso que a gente se entende. Falam da Bethânia... Ela é exigente, mas eu sou mais do que ela. Dois bicudos não têm problema nenhum, não! E tem o seguinte, você só considera alguém ser exigente demais se você não é assim. Porque esse é o meu trabalho. O meu trabalho não é chegar e falar: ok, vamos lá. Nunca fiz isso, nunca abreviei. Porque eu acho isso um desrespeito gigante. Eu não sou dono da verdade e nem tenho a menor pretensão de ser, essa é a coisa mais chata do mundo. Mas eu realmente abro meu ponto de vista o tempo inteiro. Vamos discutir, não tem problema nenhum. Mas eu luto para ter no final aquilo que eu acredito.

E qual expectativa de falar com o público brasileiro em um auditório de 1200 pessoas, em um evento de criatividade como o Rio2C?
Do lado dos dois que eu estou? Vou dar gargalhada! Vou morrer de rir.

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De 3 a 8 de abril de 2018 na Cidade das Artes, Rio de Janeiro

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